Origem da Legislação
Resumo gerado com IA
O Que a Legislação Faz
Esta lei cria o Licenciamento Expresso em Itapeva, um sistema que agiliza a liberação de alvarás para pequenas construções e comércios. Na prática, a Prefeitura deixa de fazer aquela análise detalhada e demorada do projeto antes de liberar a obra. Em vez disso, o alvará é emitido de forma rápida com base em uma declaração de responsabilidade assinada pelo dono do imóvel e pelo profissional técnico (engenheiro ou arquiteto).
A lei entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2026 e será aplicada em etapas. No primeiro ano, valerá apenas para obras financiadas por bancos. Com o passar do tempo, o limite de tamanho das construções permitidas nesse modelo aumenta, chegando a atingir casas e comércios de até 400m² após três anos de vigência.
O objetivo principal é desburocratizar o crescimento da cidade, partindo do princípio de que o proprietário e seu técnico estão agindo corretamente e seguindo as normas urbanísticas, sem precisar esperar meses pela fila de aprovação da Prefeitura.
Quem Deve Cumprir
- Proprietários de imóveis: Que desejam construir casas unifamiliares ou pequenos comércios.
- Profissionais técnicos: Engenheiros, arquitetos e técnicos industriais que projetam e acompanham a obra.
- Comerciantes: Interessados em abrir negócios de caráter local (farmácias, mercados, escritórios) com até 400m².
Obrigações e Direitos
- Direito ao Alvará Rápido: O cidadão tem o direito de obter a licença de forma online e simplificada para atividades de baixo risco.
- Uso de Assinatura Digital: Todos os documentos e declarações devem ser assinados eletronicamente.
- Responsabilidade Total: O dono e o técnico assumem, sob as penas da lei, que o projeto respeita todas as regras da cidade. A Prefeitura não revisará o desenho técnico para dar a licença.
- Prazos da Obra: Após conseguir o licenciamento, é obrigatório comunicar o início da obra em até 6 meses (prazo que pode ser prorrogado uma vez por mais 12 meses).
- Conclusão: O tempo total entre o licenciamento e a entrega do "Habite-se" não pode passar de 3 anos.
- Documentação no Local: O alvará (mesmo que digital ou via QR Code) deve estar sempre disponível para fiscalização no canteiro de obras.
Penalidades
Se a fiscalização encontrar mentiras nos documentos ou se a obra estiver sendo feita fora do que manda a lei, as punições são severas:
- Multas e Embargos: A obra pode ser parada imediatamente e o dono multado.
- Cassação e Demolição: O alvará pode ser cancelado e, em casos graves, a construção pode ser demolida.
- Punição Profissional: Se houver falsidade ou omissão de dados, a Prefeitura informará oficialmente o CREA, CAU ou CRT para que o profissional responda a processo disciplinar.
Impacto Financeiro
A lei não cria novas taxas, mas exige uma condição financeira importante: para utilizar o Licenciamento Expresso, o imóvel não pode ter dívidas com o Município de Itapeva (como IPTU atrasado), a menos que a cobrança esteja suspensa pela justiça ou parcelada oficialmente.
CÂMARA MUNICIPAL DE ITAPEVA
Palácio Vereador Euclides Modenezi
Avenida Vaticano, 1135 – Jardim Pilar – Itapeva – São Paulo – 18406-380
Secretaria Administrativa
LEI Nº 5.375/2026
MARIO AUGUSTO DE SOUZA NISHIYAMA ,
Presidente da Câmara Municipal de Itapeva, Estado de São Paulo, de acordo com o Art. 47, § 6º da LOM, Promulga a seguinte Lei:
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES INICIAIS
Art. 1º Fica considerado legítimo e outorgado como direito do cidadão, no âmbito do Município de Itapeva/SP o Licenciamento Expresso a ser concedido às obras e atividades taxativamente arroladas no art. 3º desta Lei, face a inexistência, incômodo e impacto urbano.
Art. 2º O Licenciamento Expresso será expedido mediante declaração firmada pelo proprietário e pelo Responsável Técnico pelo projeto e pela execução da obra com assinatura digital.
Parágrafo único. Havendo mais de um proprietário ou Responsável Técnico pelo projeto, deverão estes também assinar a respectiva declaração disposta no caput.
Art. 3º São passíveis de concessão de licenciamento expresso, desde que preencham os demais requisitos desta Lei, as seguintes atividades:
I – habitações unifamiliares;
II - comércio varejista de caráter local, com no máximo, 400m² de área construída, tais quais farmácias, mercados, bazares, açougues e similares, exceto aqueles que potencialmente causem impacto.
III – serviços de caráter local, com no máximo, 400m² de área construída, tais quais escritórios, estúdios e outros serviços assemelhados.
IV – obra civil genérica com no máximo 400m² de área construída.
§ 1º São considerados comércios de caráter local que potencialmente causem impacto, conforme disposto no inciso II deste artigo, aqueles que envolvam atividades com forno à lenha ou manipulação de produtos químicos.
§ 2º São exceções aos serviços descritos no inciso III deste artigo os templos, hotéis, motéis, instituições de ensino, clubes e equipamentos de entretenimento noturno.
Art. 4º O Licenciamento Expresso ocorrerá progressivamente, da seguinte forma:
I - durante o primeiro ano contado da aprovação da lei, serão passíveis de licenciamento expresso as construções residenciais e comerciais destinadas a financiamento imobiliário junto ao agente financeiro;
II - após o primeiro ano da vigência da lei, serão passíveis de licenciamento expresso, as construções residenciais unifamiliares com área construída até 100m² (cem metros quadrados);
III - após o segundo ano da vigência da lei, serão passíveis de licenciamento expresso, as construções residenciais unifamiliares com área construída entre 100m² (cem metros quadrados) e 400m² (quatrocentos metros quadrados) e construções comerciais com área construída até 100m² (cem metros quadrados);
IV - após o terceiro ano da vigência da lei, serão passíveis de licenciamento expresso, as construções comerciais até o limite de 400m²;
Art. 5º É vedado o licenciamento expresso nas seguintes hipóteses:
I - construções residenciais e comerciais com área construída superior à 400m² (quatrocentos metros quadrados);
II - construções destinadas a atividades industriais de qualquer dimensão;
III - construções que necessitem de aprovação de LTA junto a vigilância sanitária.
Art. 6º Somente será emitido licenciamento expresso às obras que respeitem de forma, de forma cumulativa, as seguintes condições:
I – serem consideradas atividades de baixo risco, consoante resolução emitida pela Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios – Redesim –, instituída pela Lei Federal nº 11.598, de 3 de dezembro de 2007, sendo possível a ampliação do rol para abranger outras atividades mediante decreto do Poder Executivo.
II – Imóvel que não possua débito com o Município de Itapeva,admitidos os casos em que a exigibilidade do crédito esteja suspensa.
CAPÍTULO II
DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO
Art. 7º O requerimento de licenciamento expresso deverá ser realizado pelo interessado, de forma online, devendo todos os documentos estarem assinados através de assinatura eletrônica ou assinatura física em documento digitalizado.
§ 1º A relação dos documentos necessários para instrução do requerimento, os modelos de formulários, requerimentos, declarações, procurações, pranchas gráficas e memorial descritivo serão definidos e estabelecidos mediante ato do Poder Executivo.
§ 2º A Declaração a ser firmada pelo proprietário do imóvel e pelo responsável técnico, declarará sob as penas da lei, que o projeto atende a legislação municipal aplicável, que as informações prestadas são verídicas e os documentos apresentados são verídicos e autênticos.
§ 3º O proprietário do imóvel e o responsável técnico são responsáveis pelas informações prestadas e poderão responder cível e criminalmente por seus atos.
§ 4º A responsabilidade sobre projetos, instalações, execuções e manutenção das edificações cabe aos profissionais
§ 5º Caberá aos responsáveis técnicos pelo projeto a responsabilidade pelas informações referentes ao lote, informando restrições existentes tais como área de APP, alta-tensão, ruas projetadas, topografia, construções existentes, habite-se anterior, vegetação, redes subterrâneas de infraestrutura, faixas de domínio de concessionárias, rodovia, ferrovia, entre outras.
§ 6º O responsável técnico deverá solicitar cancelamento do licenciamento expresso caso o proprietário não opte por seguir com o projeto em conformidade com a legislação vigente, e informar ao Poder Público para que sejam adotadas as medidas necessárias.
Art. 8º Não haverá análise ou revisão técnica do projeto para a emissão do licenciamento expresso, cabendo aos requerentes todas as responsabilidades pelo atendimento à legislação.
Art. 9º Na ausência de protocolo dos documentos na sua integralidade, ou na ilegibilidade ou inadequação destes, o processo será indeferido.
Art. 10. A licença expressa não exime o proprietário, o responsável técnico pelo projeto e o responsável técnico pela execução da obra do cumprimento integral do disposto na legislação municipal, estadual e federal.
Art. 11. A licença expressa do projeto arquitetônico será concedida com base nos documentos que os interessados apresentarem e na responsabilidade assumida pelo profissional responsável pelo projeto, mediante assinatura da Declaração.
Art. 12. A expedição de licença expressa não exclui a competência do Município para realizar ações de fiscalização e vistoria.
CAPÍTULO III
DOS PRAZOS DE VALIDADE
Art. 13. O licenciamento expresso terá validade durante a vigência da lei.
§ 1º Após a concessão do Licenciamento Expresso deverá o requerente efetuar o comunicado de início de obra no período de 06 (seis) meses, com documentação conforme a regulamentação.
§ 2º A não apresentação do comunicado de início de obra no prazo máximo estipulado no parágrafo anterior, ensejará o cancelamento da solicitação e, por conseguinte do alvará expedido.
§ 3º O prazo para início de obras poderá ser prorrogado uma única vez por até 12 (doze) meses.
§ 4º O alvará de obras será prorrogável uma única vez, obedecendo-se o prazo máximo total de 3 (três) anos entre o licenciamento e o Certificado de Conclusão do Imóvel com Habite-se.
CAPÍTULO IV
DAS PENALIDADES
Art. 14. No caso de constar alguma irregularidade, inconsistência documental ou desvio de qualquer parâmetro urbanístico ou construtivo previsto na legislação vigente e àqueles definidos em projeto, serão aplicadas as seguintes penalidades ao proprietário e ao responsável técnico, além de outras penalidades previstas no Código de Obras:
I – multa;
II – embargo;
III – cassação de Alvará de Construção;
IV – demolição.
Art. 15. No caso de ausência do comunicado de início de obra no prazo máximo de 06 (seis) meses, será o Alvará de Construção cassado.
Art. 16. O projeto e a execução da obra serão objeto de fiscalização da Secretaria competente, constituindo óbice à continuidade da construção a constatação de desconformidades entre o projeto executado e o projeto apresentado, como também qualquer descumprimento da legislação vigente, o que poderá acarretar na adoção de medidas administrativas e judiciais contra o proprietário e o responsável técnico.
Art. 17. Quando forem constatadas declarações falsas ou omissões de informações relevantes na concessão do licenciamento expresso, além do indeferimento do processo e cassação do alvará, a Secretaria responsável oficiará o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e o Conselho Regional dos Técnicos Industriais (CRT) para apuração de eventual responsabilidade profissional.
CAPÍTULO V
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 18. O protocolo e acompanhamento dos processos online de Alvará de Construção serão realizados pelos profissionais devidamente cadastrados junto ao órgão adequado.
§ 1º O cadastro no Sistema será realizado mediante procedimento no qual esteja assegurada a adequada identificação do proprietário.
§ 2º Ao credenciado serão atribuídos registro e meio de acesso ao sistema.
Art. 19. O Alvará concedido nos termos desta Lei deverá permanecer disponível na obra, mesmo que em formato nato-digital cuja aferição poderá ser conferida por QR Code.
Art. 20. Não será permitida a solicitação de novo Licenciamento Expresso para o mesmo imóvel ou interessado que conste processo anterior que tenha sido indeferido e a licença cassada.
Art. 21. Após a conclusão da obra deverá ser requerida a Certidão de Habite-se, nos termos do Código de Obras do Município de Itapeva.
Parágrafo único. O habite-se somente será concedido se a edificação concluída estiver de acordo com a legislação e com o projeto apresentado.
Art. 22. Os processos em tramitação de Aprovação de Projeto poderão requerer o licenciamento expresso, mediante a apresentação de documentação complementar.
Art. 23. O procedimento de licenciamento urbanístico expresso deverá sempre observar o contraditório, intimando a outra parte do indeferimento ou eventuais decisões contrárias ao interesse do requerente.
Art. 24. O Poder Executivo regulamentará esta lei por decreto no que couber.
Art. 25. O disposto nesta Lei não se aplica a projetos em que seja necessária a aprovação do Código Sanitário Estadual.
Art. 26. Esta Lei entra em vigor em 1° de janeiro de 2026.
Palácio Ver. Euclides Modenezi, 9 de fevereiro de 2026.
MARIO AUGUSTO DE SOUZA NISHIYAMA
PRESIDENTE

Câmara Municipal de Itapeva/SP